Homenagem ao eterno Lucas Coppini


Eu me lembro que quando era criança, ouvia os adultos comentarem: fulano partiu. Esta era a forma que eles achavam menos sofrida de falar que alguém havia morrido, principalmente quando estavam perto de crianças. Era um jeito delicado que eles tinham de citar a morte sem que ela parecesse tão chocante. Cresci e comecei também a falar assim: fulano partiu, acabei achando menos dolorido, menos violento se referir à morte dessa maneira. Quando se diz que alguém morreu, dá a impressão que se acabou, desapareceu e imaginar que alguém que queremos bem acabou ou desapareceu pra sempre é terrível. Dói mil vezes mais do que precisar enfrentar a sua própria ausência. Partiu já é diferente, dá uma sensação de que em algum ponto da vida nos reencontraremos com essa pessoa querida novamente. Fica mais fácil imaginar que ela viajou, uma viagem sem data pra voltar, mas com retorno garantido. Enfim, descobri recentemente, que existe uma outra categoria dentro desse universo. São aqueles que nunca morrem e, portanto, jamais partem. São aqueles que embora desapareçam de nossas vistas, eternamente se fazem presentes em nossa memória e nosso coração. Os que nunca partem são as pessoas que nortearam nossos dias, colocaram um significado importante neles e deixaram uma marca tão profunda em nós que não importa onde estejam, porque ao nosso lado, de alguma forma, sempre estarão. Morrer, partir, são coisas simples, coisas do dia-a-dia. Acontece toda hora, em todo lugar, com todas as pessoas. Os que nunca partem e os que nunca passam pela dor de assistir alguém querido partir são os felizardos dessa vida. Dores momentâneas, saudades e ausências à parte, felizes daqueles que amaram alguém nessa vida a ponto de jamais deixá-los partir de seus corações. Se quando eu me for, por desígnio de Deus, uma única pessoa não me deixar partir me guardando dentro do seu peito, eu direi que valeu a pena ter passado por aqui e que minha estada nessa vida não foi em vão. Mas enquanto ainda estou por aqui, só tenho a dizer que dentro de mim moram pessoas que nunca deixei que partissem verdadeiramente, assim, como não deixarei que partam, jamais, algumas que ainda estão por aqui. Os que nunca partem são aqueles que descobriram o segredo de brilhar na terra, mesmo antes de chegarem ao céu e se tornarem estrela.


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