TERCEIRO DIA DE SPFW VERÃO 2015





PAULA RAIA

Marca: Paula Raia

Direção criativa: Paula Raia

Styling: Mauricio Ianês

Beleza: Robert Estevão

Trilha: Max Blum

Inspirações: O processo partiu da imagem de uma mulher com os pés na terra e os filhos como uma extensão de seu próprio corpo

Materiais: Ráfia, palha, organza de seda e algodão tramados e trançados

Cores: Tons terrosos, off white, cru, palha

Highlights: Sem sair de seu universo estético, Paula mostrou uma coleção emocionante e que marca uma evolução bonita em seu trabalho. Há muitas texturas, um exercício mais trabalhoso de construção e até da tradução das inspirações em roupas. Ela fala de amor e de valores e, quanto mais valor essa “mulher da terra” agrega, mais elaborada e forte fica sua roupa. O desfile abre com Daiane em um look que já denuncia um bom uso de materiais rústicos, como a palha e a ráfia, em um trabalho de artesanato gentil. A organza de seda em escama, que dá volume leve a alguns vestidos, tem um efeito tão delicado quanto sofisticado. Os comprimentos longos e recortes laterais que Paula gosta e que, de certa forma, são sua marca registrada, estão bem representados. Paula escolheu sua própria casa para apresentar a coleção. Projetada por Isay Weinfeld, é um sonho bem à sua maneira: madeira, vidro e vegetação (não cabe aqui falar da piscina maravilhosa…). Ao som de cantos africanos, as modelos, com beleza suave, entravam como que flutuando. Tudo ali comunicava leveza e gentileza. Por trás desse clima, o espírito forte dessa mulher da terra, que tece não apenas a roupa, mas as relações com seus filhos e as pessoas que a rodeiam.




GLORIA COELHO

Marca: Gloria Coelho

Direção criativa: Gloria Coelho

Styling: Equipe Gloria Coelho

Beleza: Fabiana Gomes para M.A.C

Trilha: Max Blum

Direção de desfile: Augusto Mariotti

Inspirações: Criaturas mágicas, 60’s, 70’s, 80’s, 2015, armaduras, sol, listras psicodélicas, alfaiataria medieval e masculina

Materiais: Crepe, tule, cetim de seda, couro, tecido tecnológico e malha.

Cores: Azul, branco, amarelo, cinza, creme, fuchsia, laranja, marrom, nude, off white, prata, preto, rosa, verde aqua, vermelho vegetal

Highlights: Há algum tempo Gloria vem postando em seu perfil no Instagram fotos de unicórnios. O principal tema de sua coleção é criaturas mágicas. Mas quando o primeiro look aparece na passarela, nem sinal das criaturas. Por sorte, Gloria nunca foi literal e é sempre uma boa brincadeira tentar desvendar onde estão suas inspirações, como ela as enxergou e de que forma são representadas. A alfaiataria medieval está clara nos paletós-pelerines em crepe, lindamente construídos, opção de primeira para o verão e uma das peças que já nascem desejo. Essa é a parte mais forte da coleção; totalmente usável, mas ainda assim com um pensamento e uma ideia de design por trás, como o vestido usado por Vivi Orth, com cristais Swarovski aplicados em tule e mangas deslocadas que, olhando de frente, fazem o efeito capinha. As peças de malha canelada que abrem a coleção exalam juventude em sua simplicidade e vibração de cor. As roupas de festa fecham o desfile, começando por uma série de vestidos, curtos e longos, construídos em plaquinhas por cima de tule. Os seis looks que fecham a apresentação, vestidos levíssimos em georgette (lindos em Vivi, Thairine e Deborah Muller), esses sim, são dignos de criaturas mágicas.




RONALDO FRAGA

Marca: Ronaldo Fraga

Direção criativa: Ronaldo Fraga

Beleza: Marcos Costa

Trilha: Ronaldo Fraga

Direção de desfile: Roberta Marzolla

Inspirações:
Cândido Portinari

Materiais: Linho, seda, algodão e o novo fio Amni biodegradável

Cores: Branco, laranjas e azuis

Highlights: Tão bonito quanto as coleções de Ronaldo são as histórias que as inspiram. Desta vez, um de nossos maiores mestres, Cândido Portinari, é o ponto de partida para o Verão 2014/15. Os desenhos que fazia ainda pequeno, a chegada do circo em sua cidade, as noites de São João, pipas soltas e espantalhos nas plantações de café aparecem em belos bordados em fios soltos ou estampados de maneira gráfica e colorida, aqui a pipa como principal referência. “Vou pintar a minha gente com aquela cor e aquelas roupas. Com seus pés grandes e descalços, suas mazelas e suas festas”, disse o artista. O desfile é dividido em blocos: os vestidos de crochê artesanal que abrem a apresentação, seguidos pela parte geométrica com presença forte dos losangos, até entrar nos azuis, o ponto alto, junto com a série dos fios soltos e as cenas inocentes que Portinari costumava retratar. Primorosos o vestido e a jaqueta bordados à mão em tecido escuro. Com formas e volumes fluídos, há muitas peças que já podem ir direto para as araras, em um flerte com possibilidades mais comerciais que não desrespeitem seu trabalho autoral. O desfile abre e fecha com a música “Um Son para Portinari”, primeiramente declamada e, ao final, pela voz imponente de Mercedes Sosa.




LILLY SARTI

Marca: Lilly Sarti

Direção criativa: Lilly e Renata Sarti

Styling: Luis Fiod

Beleza: Max Weber

Trilha: Hugo Frasa

Inspirações: Ano Chinês do Cavalo

Materiais: Algodão texturizado, chamois, jacquard, jeans, crochê, tricô, seda devorê e tule devorê.

Cores: Areia, azuis, camelo, citrino, verde militar, preto, off white, café, amarelo

Highlights: A Lilly Sarti estreia com buzz. Conversas de corredor diziam que era um dos desfiles mais disputados da semana. A marca existe há quase dez anos; a própria Lilly tinha apenas 19 anos quando a lançou, e hoje conta com mais de 70 pontos de venda e uma clientela fiel – na primeira fila, meninas e meninos muito bem nascidos faziam festa para as irmãs. Para Lilly, o difícil foi fazer a edição dos looks. “Nós temos muita disciplina com datas, então o desfile foi fácil de fazer. A diferença é que desta vez tivemos que compilar apenas 30 looks, bem diferente de quando fazemos showroom”, contou. O tema cavalo é desdobrado de diversas maneiras, das ferraduras às jaquetas de chamoix de franjas aos jeans com detalhes manuais que remetem ao Velho Oeste. Ao som de “On the Road Again”, de Canned Heat, as cavaleiras da Lilly Sarti são sexy e, quando não estão com seus trajes de jeans e chamois, desfilam com vestidos fluídos. Comercialmente falando, há uma cartela ampla de produtos, de maiô a vestido para uma noite quente, passando por uma boa seleção de calças jeans e franjas, que já são hit certo para o verão.




ÁGUA DE COCO POR LIANA THOMAZ

Direção geral: Liana Thomaz

Equipe de estilo: Jamille Magalhães, Rebeca Thomaz e Gisela Franck

Stylist: Daniel Ueda

Direção de desfile: Zee Nunes

Trilha: DJ Zé Pedro

Inspiração: A vida submarina

Cores: Amarelo, alaranjado, avermelhado, tons terrosos, tons de azul, verde, coral e dourado

Highlights: A inspiração era a vida submarina, mas o desfile da Água de Coco por Liana Thomaz tinha um quê de selvagem. Um dos grandes desafios desta coleção, como a estilista contou no backstage, foi fugir do clichê do peixinho, e a marca foi muito bem sucedida nisso. Um dos fatores que contribuíram na estilização do tema foi a estamparia, com a imagem bem fechada em close: à primeira vista, os detalhes de arraias pareciam manchas de onça; o jardim de algas, a folhagem de árvores. E o clima de floresta ainda foi acentuado pela trilha sonora assinada pelo DJ Zé Pedro. Liana aponta o maiô como peça-chave do Verão 2014/15, mas vale destacar também as roupas que vão além da saída de praia; a estilista investiu em peças de seda pura que podem ser usadas até em um casamento no fim da tarde, como ela sugere.




COLCCI

Marca: Colcci

Direção criativa: Adriana Zucco e Jeziel Moraes

Styling: Daniel Ueda

Beleza: Robert Estevão (cabelo) e Henrique Martins (make)

Trilha: Max Blum

Inspirações: Universo tropical

Materiais: Sedas, gazar, couro com flores em alto relevo, jacquard estampado, renda, algodão, jeans

Cores: Turquesa, índigo, off white, rosas e nude

Highlights: A entrada do desfile da Colcci parecia porta de show. É o efeito Gisele potencializado pelo efeito Tom Brady, que vibrou e ferveu da primeira fila cada vez que Gisele aparecia. Mas a apresentação mais concorrida da semana também conquistou por um outro fator: a coleção de verão da Colcci é linda, fresca e fun. Na saída do desfile era esse o comentário entre os fashionistas. A cartela de cores é ora vibrante, ora calma, sempre bem sucedida, tanto no masculino quanto no feminino. Ótimo o trabalho com o jeans, especialmente os decorados com tachas turquesa. As saias abaixo do joelho, apesar de não comunicar imediatamente com seu público super jovem, marcam um statement fashion para um shape que tem aparecido com bastante força nesta temporada. Meninos e meninas têm aí uma ótima gama de produtos, de calças a jaquetas, tops a vestidos, com um bom trabalho que reúne o artesanal e o tecnológico, listras, lisos e estampas, com toda a diversidade esperada de uma marca com a operação da Colcci.





FH POR FAUSE HATEN

Coragem: essa é a palavra que resume o desfile, ou melhor, a performance de Fause Haten para a sua marca, a FH. Como tem feito em suas últimas participações no São Paulo Fashion Week, o estilista mais uma vez optou por não seguir o formato tradicional de um desfile, e buscou algo mais artístico. Ele usou parte do cenário da peça “A Feia Lulu”, em que estreia como ator profissional, para sua apresentação no Teatro da Faap. Sete modelos apenas de lingerie viradas de costas para a plateia foram “montadas” por Fause e sua equipe. A performance terminou com o estilista ao piano, as sete modelos de frente para o público e seis manequins suspensos com peças da coleção. Para entender os caminhos de Fause, é importante lembrar que ele vendeu a marca que leva seu nome há sete anos, e agora pode se dedicar a trabalhos muito mais ligados à arte em diferentes planos. O trabalho como estilista ele faz pensando em suas clientes fiéis. E elas não têm uma idade específica: ele veste desde da avó à neta. São mulheres que o procuram quando têm um evento especial. Por isso, ele pensa quase que exclusivamente em peças para a noite. A relação que o estilista tem com suas clientes é interessante. Fause pensa nelas como rainhas, como representantes de uma dinastia, e sua missão é vesti-las. E isso estava bem claro nas peças apresentadas, que tinham algo de muito imponente, de realeza. As sete modelos da performance lembravam também imagens de santos: mantos sobre saias amplas com saiotes de tule, adornos em forma de auréola e adereços de mão que lembram terços. Ou será que a referência foi proposital, remetendo a uma época em que realeza e igreja se confundiam? A coleção deste “abril 2014” – Fause abandonou a nomenclatura tradicional das temporadas – é marcada por saias longas, ora volumosas e ora rabo de peixe, e pelas ricas “estampas” criadas com pedacinhos de tecido, num trabalho primoroso e artesanal. A coleção é muito colorida, com muitas cores reunidas em uma mesma peça, o que remete ao tema original da coleção, que são as diferentes etnias.





Nesta publicação está faltando apenas o REVIEW Adriana Degreas, em breve será atualizado!

SEGUNDO DIA DE SÃO PAULO FASHION WEEK VERÃO VERÃO 2015
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