EU NÃO MEREÇO SER ESTUPRADA!


Nas últimas semanas uma campanha que começou na internet sacudiu o Brasil: ”Eu não mereço ser estuprada”.

Mas como isso começou? Uma jornalista chamada Nana Queiroz resolveu criar um evento no Facebook com esse título (“Eu não mereço se estuprada”) após saber que o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) divulgou uma pesquisa mostrando que 65% dos brasileiros concordam, totalmente ou em partes, que “mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas”. O evento ganhou milhares de adeptos e, além disso, como forma de protesto, homens e mulheres começaram a publicar fotos, com pinturas no corpo e cartazes, apoiando a causa.

Em reação à pesquisa, jornalista Nana Queiroz posta foto com o dizer ‘Eu não mereço ser estuprada’

Alguns dias depois descobriram um erro no resultado da pesquisa. A porcentagem correta seria 26% e não 65%.

É um alívio saber que mais da metade da população não concorda com a tal frase, mas o erro de certa forma foi bom. Porque assim, um assunto muito importante, que até então era tratado como tabu, veio à tona, fazendo as pessoas pensarem e se manifestarem.

Mas por que isso mexeu tanto com a população e como isso influi na sua vida? Segundo a tal pesquisa – mesmo agora, depois do resultado retificado – muita gente pensa que o que causa o estupro é a roupa que a mulher usa. Como se por estar com as pernas de fora ou um decote mais generoso, ela estivesse dando permissão para o abuso.

Valesca Popozuda é outra  famosa que entrou na onda dos protestos contra o resultado da pesquisa feita pelo IPEA que dizia que 65% dos brasileiros acham que mulher com roupas curtas merece ser violentada

Imagina a situação. Você resolve colocar uma minissaia para tomar um sorvete com sua amiga. No caminho, um cara passa por vocês e só falta te devorar com os olhos. Como se não bastasse, ele ainda sussurra “gostosa”, com uma voz que julga ser sexy. Tenho certeza de que a maioria dos homens que faz esse tipo de “elogio” pensa que a mulher gosta. Mas a gente sabe que não é verdade. Isso gera desconforto e até aversão. Mais do que isso, causa a sensação de que a mulher, mesmo com toda busca pela igualdade, continua sendo vista com inferioridade. Que a sociedade continua machista.  Afinal, se um homem veste um short curto ou tira a blusa, isso quer dizer que ele está pedindo para ser estuprado? Se essa tivesse sido a pergunta da tal enquete, tenho certeza de que quase todas as respostas seriam negativas.

Daniela também não se calou. A cantora usou as redes sociais para se manifestar à favor da campanha

Na verdade, tem outro absurdo nisso tudo: o fato de alguém ser julgado a partir das roupas que usa!

Depoimento da leitora do About Jovem: Lembro que quando morei em Londres, certa vez eu estava em casa e me bateu a maior vontade de comer chocolate. Eu não tinha nenhum no “estoque”, mas sabia que o supermercado que ficava bem na frente tinha de sobra. Só havia um problema… Eu estava de pijama e na maior preguiça de me trocar. Se eu estivesse no Brasil só teria duas opções: vencer a preguiça ou continuar com vontade. Mas me lembrei de que lá as pessoas não estão nem aí para o que outros vestem ou deixam de vestir. Eu vivia vendo gente na rua que parecia ter saído de camisola! Por isso, não tive dúvidas. Calcei apenas o tênis, coloquei um casaco, atravessei a rua e pouco depois voltei para casa bem feliz, com vários tipos de chocolate! E o melhor? Ninguém me olhou com desprezo ou espanto por eu estar vestida daquele jeito. Acharam natural. Assim como acham quem pinta os cabelos de sete cores diferentes, quem tem o corpo todo coberto por tatuagens, quem sai fantasiado, e quem veste minissaia ou blusa superdecotada.  E é assim que deveria ser em todo lugar.

Nana Gouvêa também tirou a roupa em protesto

A escolha da roupa é opção de cada um. Isso não quer dizer que a pessoa está pedindo para ser olhada, cantada, estuprada, e que merece ou não alguma coisa. Significa apenas que ela gosta de se vestir assim ou que está daquele jeito por algum motivo. Cada indivíduo deveria poder usar o que quiser, sem ter que se preocupar com a reação que aquela roupa vai causar…

Dá play no MillyUMAcoisas sobre #eunãomereçoserestuprada!




http://www.aboutjovem.com/2014/03/millyumacoisas.html
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